A legal promoção do uso de segurança nas escolas brasileiras, tem sido uma salutar experiência para as poucas instituições que se dispuseram a investir na evolução da educação de seu estabelecimento. Com esta mentalidade, diga-se, atualizada, proprietários de escolas e seus pedagogos vêm dia a dia desfrutando dos benefícios de possuir um corpo de seguranças com o qual compartilham os objetivos das instituições e com as agradáveis parabenizações dos pais, que vêem seus filhos mais seguros e por isso mesmo, mais dispostos à convivência no ambiente escolar e a partir dele em todos os demais ambientes de convivência que possuem, no qual dispensam grande parte do seu dia útil, e por isso mesmo, nele se dá a maior parcela do desenvolvimento do seu carater.

O crecente e atualmente inevitável  crescimento dos índices de violência nas escolas, por sí só, é capaz de desencadear coletivamente a preocupação de seus usuários. Diante a efetivação e constância de fatos mais graves, só dispersam ainda mais e a velocidades mais elevadas a disseminação involuntária, automática da instabilidade em que se encontra hoje a educação nacional. A instabilidade a que me refiro não é formada apenas da inexistência do cumprimento das Leis que regem a respeito da segurança daqueles que por serem menores de idade, e por isso, identificados legalmente como hiposuficientes, uma vez nas dependências de qualquer instituição se encontram sob a custódia dela própria e daquele que a administra.

A simples existência de Leis como a que compõe o ECA-  Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei No 8.069, de 13 de julho de 1990, de acordo com as alterações dadas pela Lei No 8.242, de 12 outubro de 1991. expõem sobre tudo a inconsistente política pública e de educação, que não se impõe com decoro a altura que suas atividades são destinadas a desempenhar, economizando recursos ao cumprimento compulsório de Leis a que deveriam estar sujeitos. A inexistência de efetivas atividades curriculares que promovam a substancialização do curriculo de formação dos educadores no trato do tema em questão , e por último, de uma política educacional que esteja de fato voltada a envolver-se na formação do caráter do educando e não apenas de sua capacidade de absorver conteúdos programáticos.

Os indivíduos em formação, ainda nos jardins de infância, exatamente por possuir as idades mais tenras, são por sí só, seres completamente dependentes de estímulos sócio-culturais, que irão pouco a pouco formando sua consciência ética e moral.

Livro: Como Conviver Com a Violência – 1998 – Ribeiro, Lair – Editora Moderna. Pg 143 – ” Desde cedo os pais devem ter a preocupação de ensinar aos filhos questões relativas à segurança, tanto dentro como fora de casa. Na verdade esta conscientização sobre o tema Segurança, desde a infância, fará com que seu filho cresça sabendo quais atitudes, condutas e cuidados que deve ter diante de uma situação de perigo”.

Livro: Reflexões Pedagógicas – V- Salvemos o Homem, Artur Alonso, S. J. –Ed.Loyola, 1986. Pg 124- “A maior vítima desta desumanização serão sempre os jovens. São eles, naturalmente inclinados pela inexperiência própria da idade e pelo desconhecimento da história, a aceitar o papel exaltante que – com mal disfarçada hipocrisia, em geral – dando largas a uma “ilimitada liberdade” – poderão transformar-se em fautos do futuro, sem qualquer compromisso com o passado, e sem necessidade de sacrificar seus gostos , no presente”.

Livro: Sociedade e Consciência – Um Estudo Piagetiano na Favela e na Escola, Bárbara Freitag, Ed. Cortez e Autores Associados, 1984. Pg.47- “Com os seus estudos sobre desenvolvimento moral, Piaget elaborou novo modelo de gênese das estruturas da consciência infantil. Não se trata aqui de formas meramente lógicas do pensamento, mas da percepção, aceitação, rejeição, e do julgamento de situações sociais reguladas por normas e valores. No julgamento moral, o estágio de consciência atingido se expressa de forma unívoca. ….A inserção da criança em seu contexto social não é inicialmente, percebida (egocentrismo). A percepção cada vez mais nítida desse contexto, inclusive da posição que ela ocupa dentro do mesmo, é resultado de um processo de conscientização constante (descentralização)”.

A criança , com a idade de 4 a 5 anos, encontra-se no estágio pré-moral (que consiste o egocentrismo infantil, ou seja, incapacidade de discriminar entres o seu ponto de vista e o dos outros, e a tendência a projetar no mundo exterior seus impulsos e desejos). Neste estágio, ela desconhece regras.

Este material é parte da monografia de pós -graduação deste, no curso de Docência do Ensino Superior, 2010, sob o tema: “Violência Escolar – Um Conteúdo Necessário ao Curriculum de Formação do Educador”.

Carlos Alberto Reis de Oliveira

Pg. 48- De entre 5 e 8 anos a criança entra no estágio da moralidade heterônoma, onde os deveres são vistos como esternos, impostos coercitivamente, e não como obrigações elaboradas pela consciência. O bem é definido como o cumprimento do dever, as ordens e regras devem ser cumpridas ao pé da letra .

Entre 8 e 10 anos, começa o estágio de transição entre a moralidade heterônoma e a moralidade autônoma, ou seja no estágio da semi-autonomia, a criança deixa de obedecer rigidamente às ordens, proibições e regras impostas pelos adultos e passa a observá-las segundo a situação específica, respeitando-as de modo geral e interpretando-as de forma própria e original. Manifesta-se na criança uma capacidade de generalização e diferenciação entre deveres, as regras e as ordens, mas Ela ainda os percebe como impostos de fora, e não como o resultado de uma elaboração própria.

A partir dos 10 aos 12 anos, inicia-se a moralidade autônoma, com o reconhecimento na reciprocidade um elemento da autonomia. A veracidade se torna requisito para o respeito e a simpatia mútuas. A necessidade da moral decorre da relação com o outro. As características mais marcante deste estágio são as seguintes: 1- Os deveres, as regras e as prescrições somente são cumpridos quando percebidos e avaliados como necessários e significativos. 2- O cumprimento do dever é relativizado, ganhando prioridade sua interpretação subjetiva. 3- A responsabilidade pelos atos é julgada pela intenção, negligenciando-se suas conseqüências objetivas.

Posted by admin On Abril - 8 - 2011 noticias
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